domingo, 15 de junho de 2008

o crescimento do passarinho

conheci a vermelhidão dos caminhos suburbanos. passei por cada canto. revistei cada galho de árvore: colhi hortênsias como quem colhe carambolas e as corta em rodelas para simular estrelas. andei debaixo de pontes, cheirei a sombra dos olmos. desfiz Cuba e todas as ramificações conseguintes de movimentos, partidos, teorias marxistas não fundamentadas, vontades políticas, gritos, desordens, brasílias e havanas.

percorri os triângulos da vida.

chamei teu nome em escadas, subidas, vértices de prédios, cantinas e mosteiros. gritei tão alto que ainda escuto o meu eco te projetando em mim.te fiz, amor, a canção mais linda da minha vida e tu não notaste. tampouco notaste que cantei teu nome na chuva. talvez porque não saibas da necessidade da minha música.arrebataste meu mundo pequeno das brincadeiras. me fizeste crer que não há vida pequena e acabei no mundo dos homens. dos homens que dançam em círculos e não sabem sorrir como eu sorria.torturei teu corpo e o teu sagrado coração. te deixei chorando, exauri tuas lágrimas. e, agora, depois me me fatigar,devastar, trucidar, demolir, te perdôo. perdôo a mim, também.

honey, reconstruo a vida e planto as sementes do meu jardim. gosto de jardins coloridos, como de crianças. acho que, contentemente, ainda há criança aqui: percebes que te sorrio através das flores da janela?quem sabe, uma dia, a gente troca o símbolo e eu te faço entender da beleza e da grandeza de sorrir de cócegas.

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