terça-feira, 28 de abril de 2009
lado sul
em um bosque austral, há décadas e décadas, existia um reinado encantado entre as montanhas. com o passar dos anos, as tribos indígenas, forasteiras e campesinas se puseram a lutar contra a desordem e o caos que o mundo começava a enfrentar. tantas batalhas aconteceram dentre aquele cerrado que um pouco de pessoas de cada tribo foram dizimadas. as que restaram, atônitas, decidiram unir-se e formaram um grande acampamento.tantos dias bons viveram aquelas pessoas naquele lugar. e era tão intenso o amor que outras pessoas decidiram ali habitar. nasceu, naquele instante, uma santa maria.e foi nesta pequena vila, cercada de morros, que decidi - ao olhar metafísico - viver.nesta cidade, de santo nome, encontrei outras duas: uma que é ela própria e que habito, outra que é ela setenta e sete vezes maior, com setenta e sete vezes mais pessoas e setenta e sete mais ruelas encantadas.díspares na sua fisiologia, mas encontradas na suas respectivas funções recíprocas de amor.são tantos os santos que já nem sei. e peço a deus, de mãos bem dadas, que todos os santos se unam: são pedro, santo augusto, são martinho, são paulo, santa helena, santa rita, santa maria. que todos, juntamente comigo, abram esses relatos sitiados com uma prece fervorosa: rezemos pelo casamento dos santos, rezemos!
quinta-feira, 5 de março de 2009
high music
invadi o fundo do meu coração com um exército bravio e astuto. pulei de verdade em verdade, de mentira em mentira. desci ladeiras escuras e pulsei o chão, as paredes e o teto, até perceber que as piores cicatrizes são feitas pelas minhas próprias mãos. pelos meus pulsos firmes e arqueados quando esnobes ou arrogantes, quando doces ou delicados.
tu não entenderias ao certo das dores e das alegrias. aliás, a passagem das dores ou a renúncia que fazes constantemente não é percebida. por mim sim, amor. fecha os teus ouvidos. isso, isso!
agora vou contar: abri todas as portas de mim. tirei os venenos, as baratas. limpei as arestas, tirei as teias. é tão fácil provocar dor.
no entanto, me provoco apenas alegrias. não canto só porque desafino, não danço só porque me doem as pernas. desamar é meu verbo. e desamado é que vou. logo agora, darling, que abri todas as portas, troquei as toalhas, os copos e as facas. se soubesses, ao menos, que pus flores sobre a mesa.
estou farto do seu silêncio. estou farto das tuas palavras. me cansei das tuas bocas quando beijas, dos teus olhos quando sorriem, estou exausto, sweetest, de ti e de tudo que te compreenda. estou farto até da injustiça que cometo contigo.
adoro te ver sem entender. sei que pensas em três ou quatro músicas enquanto te falo da rivalidade do meu coração. a imagem acústica da tua música é desentoada como tu.
não te quero mais. tua pele me repele.
bem mais abaixo, eu sei amar. sei amar a quem me ama. sei amar a quem me toca fundo a alma e faz minha casa colorida. não tu, claro. sei amar a voz, essa voz que ainda não sei. desvairado, louco. te amo assim. te amo quando sentas, já disse. avassalador. dá a tua mão. olha a estrada de sol!
vamos caminhar juntos num imperativo de amor?
me deixa te mostrar que a paixão destes anos é tua.
canta teu retorno, canta!
já não sei rimar, nem fazer doer. minha dor é a falta da dor.
é essa imcompreensão, esse calor e essa noite infinita. se eu rondar a noite não te acho. se rondar as praias, os bares, as baladas ou as saunas, também não. você não existe, amor.
mas eu te amo esperançoso e delicado. deixo o quarto aberto e limpo pra ti. coloco duas toalhas coloridas e um copo de vinho doce. escrevo uma carta de amor ou declamo uma poesia arábica, grega ou catalã. te amo cosmopolita. aqui and everywhere.
desculpa o devaneio, garoto. tira as mãos dos ouvidos e escuta com calma: um pouco é mentira, outro pouco verdade. mas acredita no amor. tá vendo essa lágrima? é da falta de amor. e do desencontro ou do encontro errado. eu curo tudo. cretino! ouve a mim. presta atenção!
tô um pouco sozinho aqui, mas já resolvo. eu não tenho medo da solidão. ela me aquece tanto.
agora sai daqui e deixa deitar sozinho. cansei do teu corpo. sim, do teu, agora.
[deitado de costas, nu e braços abertos. cigarro numa mão, garrafa de conhaque na outra. foi assim que ele - com lágrimas nos cantos dos olhos - acreditou no amor e que os exércitos bravios e astutos se retiraram, até ele morrer]
tu não entenderias ao certo das dores e das alegrias. aliás, a passagem das dores ou a renúncia que fazes constantemente não é percebida. por mim sim, amor. fecha os teus ouvidos. isso, isso!
agora vou contar: abri todas as portas de mim. tirei os venenos, as baratas. limpei as arestas, tirei as teias. é tão fácil provocar dor.
no entanto, me provoco apenas alegrias. não canto só porque desafino, não danço só porque me doem as pernas. desamar é meu verbo. e desamado é que vou. logo agora, darling, que abri todas as portas, troquei as toalhas, os copos e as facas. se soubesses, ao menos, que pus flores sobre a mesa.
estou farto do seu silêncio. estou farto das tuas palavras. me cansei das tuas bocas quando beijas, dos teus olhos quando sorriem, estou exausto, sweetest, de ti e de tudo que te compreenda. estou farto até da injustiça que cometo contigo.
adoro te ver sem entender. sei que pensas em três ou quatro músicas enquanto te falo da rivalidade do meu coração. a imagem acústica da tua música é desentoada como tu.
não te quero mais. tua pele me repele.
bem mais abaixo, eu sei amar. sei amar a quem me ama. sei amar a quem me toca fundo a alma e faz minha casa colorida. não tu, claro. sei amar a voz, essa voz que ainda não sei. desvairado, louco. te amo assim. te amo quando sentas, já disse. avassalador. dá a tua mão. olha a estrada de sol!
vamos caminhar juntos num imperativo de amor?
me deixa te mostrar que a paixão destes anos é tua.
canta teu retorno, canta!
já não sei rimar, nem fazer doer. minha dor é a falta da dor.
é essa imcompreensão, esse calor e essa noite infinita. se eu rondar a noite não te acho. se rondar as praias, os bares, as baladas ou as saunas, também não. você não existe, amor.
mas eu te amo esperançoso e delicado. deixo o quarto aberto e limpo pra ti. coloco duas toalhas coloridas e um copo de vinho doce. escrevo uma carta de amor ou declamo uma poesia arábica, grega ou catalã. te amo cosmopolita. aqui and everywhere.
desculpa o devaneio, garoto. tira as mãos dos ouvidos e escuta com calma: um pouco é mentira, outro pouco verdade. mas acredita no amor. tá vendo essa lágrima? é da falta de amor. e do desencontro ou do encontro errado. eu curo tudo. cretino! ouve a mim. presta atenção!
tô um pouco sozinho aqui, mas já resolvo. eu não tenho medo da solidão. ela me aquece tanto.
agora sai daqui e deixa deitar sozinho. cansei do teu corpo. sim, do teu, agora.
[deitado de costas, nu e braços abertos. cigarro numa mão, garrafa de conhaque na outra. foi assim que ele - com lágrimas nos cantos dos olhos - acreditou no amor e que os exércitos bravios e astutos se retiraram, até ele morrer]
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
mi bien
...via em um canto pontiagudo uma televisão antiga, talvez sem cor, que insistia em mostrar apenas as imagens que a agradava: um furacão que vinha de dentro do oceano e que balançava as arvorezinhas, agora sem folhas, na beira da praia.
num outro lado da sala, depois de quatro ou cinco mesas, dois quadros tortuosos. me pareciam um pouco turvos, talvez pela fumaça toda e tanta cinza de cigarros mal apagados. no entando, aquele ar bucólico e gentil das pinturas era só para desfazer a anuência para com as pessoas: copos quebrando, garrafas pela metade, goles desonestos, risadas descontroladas e pessoas incestas, bêbadas.
e eu aqui, nesta mesma mesa de duas cadeira e dois copos. bebia amargamente. fumava cigarros amassados e ajeitava a gola da minha camisa. tu dizias que deveria refutar as verdes, um tanto fora da moda. nem tive tempo de mostrar que a moda passa e que não sobram, sequer, estigmas. porém, com esta, tu dizias que eu parecia um menino selvagem, pronto pra me entregar ao teu amor, desvendar teus segredos mais íntimos, decodificar teu código morse indiano.
às vezes apanhava teu copo e simulava enchê-lo do meu drink. se enchesse, estaria dividindo contigo a minha vida mais bandida e transbordada daquilo que mais me valia em silêncio: o nosso amor. não enchia. e acabava devolvendo teu copo ao lugar oposto ao meu. acontece que gelo derretido é só água. e ele esvairia se o deixasse esperando com tanta aflição e calor das pessoas que se queriam e se abraçavam.
eu veria teu rosto impetuoso muito longe, atravessando as devastas e devassas multidões, desbravando os cigarros mal fumados, bebidas mal bebidas, pulando de cadeira em cadeira. veria teus olhos pequenos mirando os quadros pastoris daquela parede de canto, naquele pub español desajeitado.
até que tu me chegas e senta. gosto dos teus cabelos morenos, do quente da tua pele, do teu ar virgem europeu. quando tu olhas nos meus olhos, desvia o olhar para o copo e sorri com vergonha. só tornando a me encarar depois que o riso cesse e os trejeitos apaixonados se confundam com qualquer seriedade de amar.
"que no haria yo por ti?"
ponho a mão sobre a mesa. tu pões a tua sobre a minha e me olhas: soy tuyo.
eu esqueço as palavras, a arbitrariedade do signo e a linearidade do que isso signifique. minhas pernas tremem e meu corpo relaxa inteiramente. meus poros dilatam e se contraem incansavelmente. eu vejo todas as mudanças no meu corpo no intervalo das tuas duas palavras.
soy tuyo e teu sotaque latino. soy tuyo e tua capa vermelha.
eu sempre fui teu, bombón. não porque semicerras os lábios pra me provocar, tampouco porque fechas os olhos, depois escondes-os com as mãos pra rir.
sou todo teu, mi bien, porque tua poesia dilacera o meu coração. teu jeito sereno me toma com uma música suave que leva, leva, leva pra um lugar que os únicas chamas que queimam são as de dragões de amor.
Enrola tuas mãos e tua vida nas minhas que assumo os danos de flores, porque quiero fundirme yo en ti.
.três de outubro de dois mil e, siM, oito. [ 2h14 -noite insolente]
saco, essas noites longas e erradias não me temem. pelo menos, aproveito este intervalinho de sonos para escrever. odeio falhar os dias. enfim, as noites não temem mesmo. muito pelo contrário: tomam conta tão fortemente que me rendo às armas porque meus escudos são de lata barata. os dias têm sido cansativos e compridos por aqui. hoje levantei às 8h50. tomei um café bem forte e fumei um cigarro, mesmo detestando o gosto do alcatrão pela manhã. trabalhei a manhã e a tarde integralmente. recebi, à tarde, a visita de dois médicos que se queixavam do prejuízo que tiveram semana passada por conta de uma cirurgia de oito horas que tiveram de fazer, gratuitamente. É mesmo uma falta muito grande de dinheiro que os move. Deixar de ganhar dois mil pode ser tão perigoso quanto a morte de uma pessoa.
Depois fui pra aula e isso sim foi bem bonito. Tratamos, na literatura, da construção da identidade brasileira. Essas coisas refletem em boa parte na ideologia do hoje.
Tenho cansado de esperar que o dia chegue. Parece que a procura é indigente. Falta do meu amor aqui. Te quero tanto e hei de te dizer algum dia. Provavelmente no segundo após te conhecer, mi bien. Traz a vida pra perto da minha. Preenche esse meu vazio desacretidado e cuida das feridas do meu coração. Sonhei com nosso primeiro encontro hoje.
Enfim, vou dormir agora que amanhã a função é a mesma. Mas antes, preciso falar do meu sonho..
num outro lado da sala, depois de quatro ou cinco mesas, dois quadros tortuosos. me pareciam um pouco turvos, talvez pela fumaça toda e tanta cinza de cigarros mal apagados. no entando, aquele ar bucólico e gentil das pinturas era só para desfazer a anuência para com as pessoas: copos quebrando, garrafas pela metade, goles desonestos, risadas descontroladas e pessoas incestas, bêbadas.
e eu aqui, nesta mesma mesa de duas cadeira e dois copos. bebia amargamente. fumava cigarros amassados e ajeitava a gola da minha camisa. tu dizias que deveria refutar as verdes, um tanto fora da moda. nem tive tempo de mostrar que a moda passa e que não sobram, sequer, estigmas. porém, com esta, tu dizias que eu parecia um menino selvagem, pronto pra me entregar ao teu amor, desvendar teus segredos mais íntimos, decodificar teu código morse indiano.
às vezes apanhava teu copo e simulava enchê-lo do meu drink. se enchesse, estaria dividindo contigo a minha vida mais bandida e transbordada daquilo que mais me valia em silêncio: o nosso amor. não enchia. e acabava devolvendo teu copo ao lugar oposto ao meu. acontece que gelo derretido é só água. e ele esvairia se o deixasse esperando com tanta aflição e calor das pessoas que se queriam e se abraçavam.
eu veria teu rosto impetuoso muito longe, atravessando as devastas e devassas multidões, desbravando os cigarros mal fumados, bebidas mal bebidas, pulando de cadeira em cadeira. veria teus olhos pequenos mirando os quadros pastoris daquela parede de canto, naquele pub español desajeitado.
até que tu me chegas e senta. gosto dos teus cabelos morenos, do quente da tua pele, do teu ar virgem europeu. quando tu olhas nos meus olhos, desvia o olhar para o copo e sorri com vergonha. só tornando a me encarar depois que o riso cesse e os trejeitos apaixonados se confundam com qualquer seriedade de amar.
"que no haria yo por ti?"
ponho a mão sobre a mesa. tu pões a tua sobre a minha e me olhas: soy tuyo.
eu esqueço as palavras, a arbitrariedade do signo e a linearidade do que isso signifique. minhas pernas tremem e meu corpo relaxa inteiramente. meus poros dilatam e se contraem incansavelmente. eu vejo todas as mudanças no meu corpo no intervalo das tuas duas palavras.
soy tuyo e teu sotaque latino. soy tuyo e tua capa vermelha.
eu sempre fui teu, bombón. não porque semicerras os lábios pra me provocar, tampouco porque fechas os olhos, depois escondes-os com as mãos pra rir.
sou todo teu, mi bien, porque tua poesia dilacera o meu coração. teu jeito sereno me toma com uma música suave que leva, leva, leva pra um lugar que os únicas chamas que queimam são as de dragões de amor.
Enrola tuas mãos e tua vida nas minhas que assumo os danos de flores, porque quiero fundirme yo en ti.
.três de outubro de dois mil e, siM, oito. [ 2h14 -noite insolente]
saco, essas noites longas e erradias não me temem. pelo menos, aproveito este intervalinho de sonos para escrever. odeio falhar os dias. enfim, as noites não temem mesmo. muito pelo contrário: tomam conta tão fortemente que me rendo às armas porque meus escudos são de lata barata. os dias têm sido cansativos e compridos por aqui. hoje levantei às 8h50. tomei um café bem forte e fumei um cigarro, mesmo detestando o gosto do alcatrão pela manhã. trabalhei a manhã e a tarde integralmente. recebi, à tarde, a visita de dois médicos que se queixavam do prejuízo que tiveram semana passada por conta de uma cirurgia de oito horas que tiveram de fazer, gratuitamente. É mesmo uma falta muito grande de dinheiro que os move. Deixar de ganhar dois mil pode ser tão perigoso quanto a morte de uma pessoa.
Depois fui pra aula e isso sim foi bem bonito. Tratamos, na literatura, da construção da identidade brasileira. Essas coisas refletem em boa parte na ideologia do hoje.
Tenho cansado de esperar que o dia chegue. Parece que a procura é indigente. Falta do meu amor aqui. Te quero tanto e hei de te dizer algum dia. Provavelmente no segundo após te conhecer, mi bien. Traz a vida pra perto da minha. Preenche esse meu vazio desacretidado e cuida das feridas do meu coração. Sonhei com nosso primeiro encontro hoje.
Enfim, vou dormir agora que amanhã a função é a mesma. Mas antes, preciso falar do meu sonho..
domingo, 15 de junho de 2008
o crescimento do passarinho
conheci a vermelhidão dos caminhos suburbanos. passei por cada canto. revistei cada galho de árvore: colhi hortênsias como quem colhe carambolas e as corta em rodelas para simular estrelas. andei debaixo de pontes, cheirei a sombra dos olmos. desfiz Cuba e todas as ramificações conseguintes de movimentos, partidos, teorias marxistas não fundamentadas, vontades políticas, gritos, desordens, brasílias e havanas.
percorri os triângulos da vida.
chamei teu nome em escadas, subidas, vértices de prédios, cantinas e mosteiros. gritei tão alto que ainda escuto o meu eco te projetando em mim.te fiz, amor, a canção mais linda da minha vida e tu não notaste. tampouco notaste que cantei teu nome na chuva. talvez porque não saibas da necessidade da minha música.arrebataste meu mundo pequeno das brincadeiras. me fizeste crer que não há vida pequena e acabei no mundo dos homens. dos homens que dançam em círculos e não sabem sorrir como eu sorria.torturei teu corpo e o teu sagrado coração. te deixei chorando, exauri tuas lágrimas. e, agora, depois me me fatigar,devastar, trucidar, demolir, te perdôo. perdôo a mim, também.
honey, reconstruo a vida e planto as sementes do meu jardim. gosto de jardins coloridos, como de crianças. acho que, contentemente, ainda há criança aqui: percebes que te sorrio através das flores da janela?quem sabe, uma dia, a gente troca o símbolo e eu te faço entender da beleza e da grandeza de sorrir de cócegas.
percorri os triângulos da vida.
chamei teu nome em escadas, subidas, vértices de prédios, cantinas e mosteiros. gritei tão alto que ainda escuto o meu eco te projetando em mim.te fiz, amor, a canção mais linda da minha vida e tu não notaste. tampouco notaste que cantei teu nome na chuva. talvez porque não saibas da necessidade da minha música.arrebataste meu mundo pequeno das brincadeiras. me fizeste crer que não há vida pequena e acabei no mundo dos homens. dos homens que dançam em círculos e não sabem sorrir como eu sorria.torturei teu corpo e o teu sagrado coração. te deixei chorando, exauri tuas lágrimas. e, agora, depois me me fatigar,devastar, trucidar, demolir, te perdôo. perdôo a mim, também.
honey, reconstruo a vida e planto as sementes do meu jardim. gosto de jardins coloridos, como de crianças. acho que, contentemente, ainda há criança aqui: percebes que te sorrio através das flores da janela?quem sabe, uma dia, a gente troca o símbolo e eu te faço entender da beleza e da grandeza de sorrir de cócegas.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
quinze de maio.
descobri que enxergo átomos: eletrosferas.
também que vive-se vida atômica, transfigurada em sobrevida caótica.
a melancolia assombra as vísceras e transforma a manifestação e tentativa de afecto em vertigem.
minha obra é triangular e irrefutável.
acordo todos os dias com a sirene alarmante dele. meus ouvidos são sensíveis e tudo é muito alto durante as manhãs.
a luz.
tua voz vibra boa dor. não posso ser maior que as coisas.
meu corpo pesa e te peço que o carregue em silêncio.
meu silêncio é teu. e essa, essa é a disritmia de mim mesmo, onde tudo soa nada. o nada se confunde com minhas pernas ou com a parte austral do meu corpo.
tuas tentativas só projetam a fuligem de mim em mim mesmo.
minhas cordas vibram e teus ouvidos ensurdecem.
preciso te amar. minha cidade não tem luar.
também que vive-se vida atômica, transfigurada em sobrevida caótica.
a melancolia assombra as vísceras e transforma a manifestação e tentativa de afecto em vertigem.
minha obra é triangular e irrefutável.
acordo todos os dias com a sirene alarmante dele. meus ouvidos são sensíveis e tudo é muito alto durante as manhãs.
a luz.
tua voz vibra boa dor. não posso ser maior que as coisas.
meu corpo pesa e te peço que o carregue em silêncio.
meu silêncio é teu. e essa, essa é a disritmia de mim mesmo, onde tudo soa nada. o nada se confunde com minhas pernas ou com a parte austral do meu corpo.
tuas tentativas só projetam a fuligem de mim em mim mesmo.
minhas cordas vibram e teus ouvidos ensurdecem.
preciso te amar. minha cidade não tem luar.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
transposição
Peço-te cuidado, meu amor,
quando o dia se pôr ensolarado
ou te fizer ver azul translúcido.
ah, desvelo também com a hora crepuscular:
lembre-se que o mesmo sol que faz o céu azul
carrega timidamente minhas carícias em tua
[dedicação
não esqueça da catarse dos nossos braços,
da brandura dos teus lábios nos meus,
tampouco do teu verbo se pondo sobre mim.
dá-me o significado da tua ação
[que me ponho aquém do teu teto.
depois me mata de amar que te morro assim,
meu amor.
quando o dia se pôr ensolarado
ou te fizer ver azul translúcido.
ah, desvelo também com a hora crepuscular:
lembre-se que o mesmo sol que faz o céu azul
carrega timidamente minhas carícias em tua
[dedicação
não esqueça da catarse dos nossos braços,
da brandura dos teus lábios nos meus,
tampouco do teu verbo se pondo sobre mim.
dá-me o significado da tua ação
[que me ponho aquém do teu teto.
depois me mata de amar que te morro assim,
meu amor.
to wilde: une description
tinha como proteção um tom de amarelo meio turvo. a cor escorria por suas veias, pelos seus braços e por todos os cantos do seu corpo. às vezes mudava: amarelo que virava laranja.amarelo e europeu. amarelo e andino. amarelo e selvagem. essa coisa meio atroz estava quase no nome.as formas eram longínquas(o que explica o tamanho), sombrias e fugaz. desvaneciam-se.haviam tipos de spots naquele fundo vivo e volátil. a representação transbordante era apenas uma caricatura de bom gosto. mão inclinada como de quem fuma bonito. senhora com a perna cruzada e chapéu verde em uma tarde cinzenta na place du tertre.contemplava quadros. e para algumas pessoas até descrevia com lhaneza a sensação boa da admiração. a estética lhe salvava. não só a ele.
[gravata roxa, english-français]
olhar estonteante, tênue, penetrativo de morte. saudade lasciva. questionador: "Para agradá-lo - e o que não faria eu para agradá-lo?"
atrás do acaso estavam outras letras-palavras em uma união biográfica. ali falava do século XIX e das cenas deturpadas de uma vida embaraçosa e esfumaçada. o leque da senhora Windermere. a rigidez e aspereza de Alfred Douglas. la merveilleuse vida de Dorian. o sabor acercava mesmo o esboço de pessoa séria. gosto bom de flor no peito. que fique a grandeza e as anotações carcerárias de oscar. que fique! oscar.
04.01.08
[gravata roxa, english-français]
olhar estonteante, tênue, penetrativo de morte. saudade lasciva. questionador: "Para agradá-lo - e o que não faria eu para agradá-lo?"
atrás do acaso estavam outras letras-palavras em uma união biográfica. ali falava do século XIX e das cenas deturpadas de uma vida embaraçosa e esfumaçada. o leque da senhora Windermere. a rigidez e aspereza de Alfred Douglas. la merveilleuse vida de Dorian. o sabor acercava mesmo o esboço de pessoa séria. gosto bom de flor no peito. que fique a grandeza e as anotações carcerárias de oscar. que fique! oscar.
04.01.08
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