tinha como proteção um tom de amarelo meio turvo. a cor escorria por suas veias, pelos seus braços e por todos os cantos do seu corpo. às vezes mudava: amarelo que virava laranja.amarelo e europeu. amarelo e andino. amarelo e selvagem. essa coisa meio atroz estava quase no nome.as formas eram longínquas(o que explica o tamanho), sombrias e fugaz. desvaneciam-se.haviam tipos de spots naquele fundo vivo e volátil. a representação transbordante era apenas uma caricatura de bom gosto. mão inclinada como de quem fuma bonito. senhora com a perna cruzada e chapéu verde em uma tarde cinzenta na place du tertre.contemplava quadros. e para algumas pessoas até descrevia com lhaneza a sensação boa da admiração. a estética lhe salvava. não só a ele.
[gravata roxa, english-français]
olhar estonteante, tênue, penetrativo de morte. saudade lasciva. questionador: "Para agradá-lo - e o que não faria eu para agradá-lo?"
atrás do acaso estavam outras letras-palavras em uma união biográfica. ali falava do século XIX e das cenas deturpadas de uma vida embaraçosa e esfumaçada. o leque da senhora Windermere. a rigidez e aspereza de Alfred Douglas. la merveilleuse vida de Dorian. o sabor acercava mesmo o esboço de pessoa séria. gosto bom de flor no peito. que fique a grandeza e as anotações carcerárias de oscar. que fique! oscar.
04.01.08
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