quinta-feira, 1 de maio de 2008

e tão só

[treze horas e trinta de um domingo qualquer]

permanecia deitado naquela cama que o completava e que atiçava seus desejos mais desconhecidos e abstratos. brincava de dormir e esperava que chegasse a hora de ser acordado. porque sim, dizia que era acordado de uma forma tão inexistente que queria ficar dormindo e acordando, assim, em um revezamento contínuo e crescente. primeiro lhe dava beijos, seguidos por cócegas e depois mais beijos. aí vinha a coisa da vozinha de bichinho de desenho animado e algumas(tão boas) carícias no pescoço. por continuar mantendo os olhos fechados como de quem dorme, acabava sugerindo que lhe fizesse outra coisa qualquer.

[quatro minutos e meio de espera...]

já não havia mais como não levantar: café da manhã(à tarde). iogurte com granola. sim, uma maçã. duas fatias de pão recheadas com coisas que só se sabe que são boas. e mais muitos beijos daqueles longos. seguravam-se as mãos e repetiam que se amavam e que o amor os uniria para todo o sempre. muito além das galáxias e das poucas certezas que sabiam da vida.eles se amavam. não, eles se amam muito. se amam mesmo. ainda mais se eu passar de pretérito imperfeito para o agora.também que se querem muito. e sonham com uma vida de tantos livros, de tantos textos, de tanto amor. ó, amor.acontece que foi viajar e eu fiquei sozinho. e dói tanto essa coisa de saber que hoje a cama é só minha. logo a cama.ele disse que volta, que sempre volta. se ele volta e sempre volta, posso dizer que espero, que sempre espero.


23.12.07

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